Queda de cabelos na infância. O que fazer?

Quando uma criança a perder os cabelos, a família toda se envolve e geralmente procura por auxílio médico.
Mas é importante que os pais tenham calma para poder ajudar os pequenos, sem deixá-los preocupados e com medo de ficarem carecas.

Muitas pessoas associam a calvície à  idade avançada, problemas hormonais ou psiquiátricos em adultos, mas a queda de cabelos também afeta as crianças e poucas pessoas sabem como lidar com o problema ou quando procurar um especialista.

Apesar de rara, a queda de cabelos nas crianças acontece por vá¡rios motivos, como questões emocionais ou genéticas, e é preciso estar atendo ao surgimento de falhas no couro cabeludo.
A dermatologista Vanessa Mutton é especialista na área e conta que, apesar de raros os casos de queda de cabelos em crianças também tratamentos e podem ser revertidos. Com pós-graduação em Cosmiatria e Laser e em Tricologia é ramo da medicina que trata dos pelos ou cabelos, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Associação Brasileira de Cirurgia da Reestruturação Capilar, além de membro International Society Of Hair Restoration Surger , Vanessa é conhecida por ter vários casos de sucesso, com recuperação total ou parcial dos fios.

Segundo ela, em alguns casos o problema é emocional e podem surgir, por exemplo, quando os pais viajam e deixam seus filhos com avós ou babás. Estas crianças podem não aceitar bem a distância e desenvolverem algum tipo de alopecia frequente e que não apresenta nenhum sintoma, a alopecia areata ou pelada, caracterizada por perda local ou generalizada dos cabelos sem coceira ou dor, com a pele íntegra, sem descamação ou vermelhidão, explica a dermatologista.
Outro fator que pode desencadear este tipo de alopecia, segundo Vanessa, é a agenda sobrecarregada que muitas crianças de hoje e que incluem, além da escola, aulas de natação, judô, ballet, inglês, alemão, catequese, entre outros compromissos que as deixam sem tempo de ser crianças.

Tricotilomania
Outro diagnóstico frequente na infância é a tricotilomania (TIM), um ato compulsivo de arrancar os cabelos que causa sofrimento e problemas de convívio social, principalmente no ambiente escolar.
Vanessa Mutton explica que na maioria dos casos existe uma rarefação dos cabelos, com cabelos partidos e outros rebrotando. Nestes casos, a abordagem tem que ser feita com cuidado para tentarmos identificar o fator desencadeante, como estresse emocional.

Além da grande quantidade de cabelos nos locais onde a criança costuma ficar, e ainda o exame clínico que auxilia o diagnóstico como a alopecia e cabelos com extremidade em pincel.
Algumas vezes, pela manipulação constante, os cabelos ficam encaracolados, com aparência de encrespamento, explica.

Há ainda a Síndrome dos Cabelos Impenteáveis (SCI), doença bastante rara onde há o efeito de ceratinização, que resulta numa haste deformada, com formato triangular que dificulta o ato de pentear e deixa o cabelo com aparência de crespo.

A dermatologista conta que nestes pacientes não à queixa de alopecia ou outros sintomas.
Além dos fatores emocionais, é preciso afastar outras causas da queda de cabelos como distúrbios hormonais e carências nutricionais como anemia ou déficits vitamínicos. Com tratamento clínico e orientação psicológica, esses cabelos voltam perfeitos e saudáveis, mas a família precisa ficar atenta porque o quadro pode evoluir em surtos de melhora e piorar, afirma Vanessa. De qualquer maneira, se a falha capilar surgir, é preciso procurar por um especialista o mais rápido possível. A maioria das patologias tem tratamento.

Entrevista para a Revista Arq&Design